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Antropometria

Medidas antropométricas: o que medir na consulta nutricional e o que cada uma responde

Capa com o título "Qual cintura você mediu?" sobre fundo roxo, ao lado de um cartão branco com três fitas métricas, uma para cada ponto de medida da cintura no mesmo paciente: menor circunferência, 78 cm; ponto médio, 81,5 cm; e cicatriz umbilical, 85 cm

Medidas antropométricas são as medidas físicas do corpo usadas na avaliação nutricional: peso, estatura, perímetros (as circunferências), dobras cutâneas e diâmetros ósseos, além dos índices calculados a partir delas, como o IMC e a relação cintura-quadril. Com balança, estadiômetro, fita métrica e adipômetro, dá para avaliar o tamanho do paciente, onde está a gordura e como anda a reserva muscular, sem nenhum exame caro.

O problema raramente é falta de medida. Costuma ser o contrário: uma ficha com quinze campos preenchidos em toda consulta, em que metade dos números nunca mais é lida e a outra metade foi medida de um jeito diferente da vez anterior. A cintura que caiu três centímetros pode ter diminuído no corpo do paciente ou só ter mudado de altura na fita.

Este guia organiza a avaliação antropométrica pela pergunta que cada medida responde: o que medir em toda consulta, o que acrescentar conforme o objetivo, em que ordem medir e o que estraga a comparação entre uma avaliação e outra. A conversa que vem antes, com histórico e objetivos, está no roteiro de como fazer uma anamnese nutricional completa. A técnica das dobras cutâneas tem guia próprio, sobre como usar o adipômetro.

Escolha a medida pela pergunta que ela responde

Cada medida antropométrica responde a uma pergunta diferente sobre o corpo do paciente. Pensar assim evita os dois erros mais comuns: medir tudo sem saber para quê e tirar de uma medida uma conclusão que ela não sustenta.

  • Tamanho e massa: peso, estatura e o IMC que sai deles. Dizem quanto o paciente pesa para o tamanho que tem, mas não do que esse peso é feito.
  • Distribuição da gordura: perímetros da cintura e do quadril e as relações entre eles. Dizem onde a gordura se concentra.
  • Gordura subcutânea: dobras cutâneas. Por equação, estimam o percentual de gordura corporal.
  • Reserva muscular: perímetros do braço e da panturrilha, com ou sem a dobra tricipital. Indicam perda de músculo, pergunta central no idoso e em quem emagreceu rápido.
  • Estrutura óssea: diâmetros do punho, do cotovelo e do fêmur. Descrevem a compleição do paciente.

Nem toda consulta precisa responder às cinco perguntas. Um paciente que quer melhorar a alimentação, sem meta de composição corporal, se resolve com o conjunto básico. Um atleta, um idoso frágil ou um paciente com perda de peso importante pedem mais.

O conjunto básico: as medidas de toda consulta

Peso

É a medida mais simples e a mais sujeita a ruído. O peso oscila ao longo do dia com refeições, líquidos e funcionamento intestinal e, em muitas mulheres, com a retenção de líquido de algumas fases do ciclo menstrual. Para que duas pesagens sejam comparáveis: mesma balança, roupas leves, sem sapatos, bexiga vazia e, sempre que der, o mesmo período do dia.

O peso medido na balança de casa vale como tendência quando comparado com ele mesmo. Misturado com o peso do consultório, a diferença entre as duas balanças vira uma evolução que o paciente não teve.

Estatura

Medida com estadiômetro, com o paciente descalço, calcanhares juntos, costas encostadas e a cabeça alinhada no plano de Frankfurt, com o olhar no horizonte. No adulto, não precisa ser repetida a cada consulta. No idoso, vale medir de tempos em tempos: a estatura diminui com o envelhecimento, e um IMC calculado com a altura de dez anos atrás sai menor do que o real.

Quando o paciente não consegue ficar em pé, a estatura pode ser estimada por medidas alternativas, como a altura do joelho, com equações próprias para isso.

IMC

O índice de massa corporal é o peso em quilos dividido pela estatura em metros ao quadrado. Para adultos, a classificação mais usada é a da Organização Mundial da Saúde (OMS):

  • Abaixo de 18,5: baixo peso.
  • De 18,5 a 24,9: peso adequado.
  • De 25 a 29,9: sobrepeso.
  • 30 ou mais: obesidade, dividida em grau I (30 a 34,9), grau II (35 a 39,9) e grau III (40 ou mais).

Os pontos de corte mudam com a fase da vida. Para idosos, o Ministério da Saúde adota no SISVAN a classificação de Lipschitz: baixo peso com IMC até 22, adequado acima de 22 e abaixo de 27, e sobrepeso a partir de 27. Em crianças e adolescentes, o IMC é lido nas curvas de IMC para idade, por sexo, e não nas faixas do adulto; o roteiro de anamnese nutricional infantil mostra o que perguntar em cada fase. Na gestação, o que importa é o IMC pré-gestacional, que define a faixa de ganho de peso, como explica o guia de anamnese para gestantes.

O IMC não separa gordura de músculo nem diz onde a gordura está: um paciente musculoso pode cair em sobrepeso sem excesso de gordura, e um com IMC adequado pode ter gordura abdominal aumentada. Por isso ele nunca fecha a avaliação sozinho.

Perímetro da cintura

É o complemento que nem o IMC nem o adipômetro oferecem: um indicador simples da gordura abdominal, inclusive da visceral, que nenhuma dobra cutânea alcança. Fita inelástica, paciente em pé, abdômen relaxado, fita na horizontal, rente à pele e sem apertar, com a leitura no fim de uma expiração normal.

O cuidado que mais faz diferença é o ponto. Três locais diferentes aparecem na prática com o nome de cintura: o ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca, que é o protocolo da OMS; a menor circunferência do tronco; e a altura da cicatriz umbilical, que muita gente chama de perímetro abdominal. No mesmo paciente, os três dão números diferentes. Escolha um, anote qual foi e meça sempre no mesmo.

Como referência de risco cardiometabólico em adultos, a OMS usa 94 cm para homens e 80 cm para mulheres como limite de risco aumentado, e 102 cm e 88 cm como limite de risco muito aumentado. Há valores propostos para populações específicas, e todos funcionam como sinal de alerta para investigar, não como diagnóstico.

Perímetro do quadril e as relações com a cintura

O quadril é medido na maior circunferência da região dos glúteos, com o paciente em pé e os pés juntos. Sozinho, diz pouco. O valor dele está na relação cintura-quadril (RCQ), a cintura dividida pelo quadril: quanto maior a relação, mais a gordura se concentra no abdômen. A OMS considera risco aumentado de complicações metabólicas a partir de 0,90 nos homens e 0,85 nas mulheres.

A relação cintura-estatura (RCE), que divide a cintura pela altura, dispensa o quadril. A referência mais citada é 0,5, proposta pela pesquisadora britânica Margaret Ashwell: na prática, a cintura deveria medir menos que metade da altura. Por usar a estatura no cálculo, a RCE trabalha com o mesmo valor para homens e mulheres.

Medidas complementares: quando o objetivo pede mais

A partir daqui entra o que o caso pedir. A regra é simples: meça o que vai mudar a sua conduta ou o seu acompanhamento.

Dobras cutâneas

Entram quando a composição corporal faz parte do objetivo. As dobras estimam o percentual de gordura por protocolos como Jackson e Pollock, com 3 ou 7 dobras, e Durnin e Womersley, com 4. Mesmo sem equação nenhuma, a soma das dobras em milímetros é um dos melhores dados de acompanhamento que existem. Onde fica cada ponto e para que lado pinçar está no guia de como medir dobras cutâneas. O instrumento, os tipos e o que conferir antes de comprar estão no guia sobre o que é o adipômetro.

Perímetro do braço e circunferência muscular do braço

O perímetro do braço é medido no ponto médio entre o acrômio e o olécrano, com o braço relaxado ao lado do corpo. Combinado com a dobra tricipital, medida no mesmo ponto, ele permite calcular a circunferência muscular do braço (CMB), uma estimativa da reserva de massa muscular:

CMB (cm) = perímetro do braço (cm) − π × dobra tricipital (cm)

A dobra sai do adipômetro em milímetros e precisa ser dividida por 10 antes de entrar na conta. Um paciente com perímetro do braço de 28 cm e dobra tricipital de 15 mm tem CMB de 28 − (3,14 × 1,5), ou seja, cerca de 23,3 cm. O resultado é comparado com tabelas de percentis por sexo e idade, como as de Frisancho. É uma medida muito usada em idosos, em pacientes hospitalizados e em quem perdeu peso rápido, situações em que a pergunta principal é se a perda veio do músculo.

Perímetro da panturrilha

No idoso, a panturrilha é um dos indicadores mais práticos de massa muscular, e por isso aparece em ferramentas de triagem como a Mini Avaliação Nutricional (MAN). É medida na maior circunferência da perna, sempre na mesma posição de uma avaliação para outra. Edema nas pernas aumenta o valor e pode esconder uma perda de músculo, então vale anotar quando ele estiver presente.

Perímetros de acompanhamento

Coxa, braço contraído, tórax e ombro não têm ponto de corte clínico, mas contam a evolução de quem busca hipertrofia ou redução de medidas. E o paciente entende centímetro melhor do que percentual de gordura: ver o braço crescer ou a coxa diminuir ajuda a manter a motivação nas semanas em que a balança não se mexe.

Diâmetros ósseos

Punho, cotovelo e fêmur, medidos com paquímetro, descrevem a compleição óssea do paciente e aparecem em alguns métodos de estimativa de peso de referência e de massa óssea. Na rotina do consultório, são as medidas menos usadas, e tudo bem.

Em que ordem medir: o roteiro da avaliação

Não existe uma única ordem certa. Existe a sua, repetida em toda consulta, que evita esquecimento e deixa a avaliação mais rápida. Um roteiro que funciona bem no consultório:

  1. Antes de chamar o paciente, decida o que vai medir e com qual protocolo, e confira se a balança, a fita e o adipômetro são os mesmos da avaliação anterior. Se trocou algum, anote.
  2. Explique o que vai acontecer: quais medidas, em quais regiões do corpo e por quê. A antropometria envolve toque e exposição da pele. O paciente que sabe o que esperar fica mais à vontade, e quem prefere não fazer alguma medida tem espaço para dizer.
  3. Peso e estatura, com o paciente descalço e de roupa leve.
  4. Perímetros, de cima para baixo: braço, cintura, abdômen, quadril, coxa e panturrilha. Fita inelástica, sem comprimir a pele, leitura em décimos de centímetro.
  5. Dobras cutâneas, do lado direito, no circuito completo, repetido para conferir os valores.
  6. Diâmetros, se fizerem parte do caso.
  7. Cálculos por último: IMC, relações, CMB e percentual de gordura, com todos os números já anotados, e não de cabeça entre uma medida e outra.
  8. Registre com a avaliação o que vai permitir compará-la depois: data, horário, ponto usado na cintura, protocolo das dobras e equipamento.

O passo 8 é o que separa uma avaliação de um acompanhamento. Sem ele, daqui a três meses você tem dois números e nenhuma certeza de que eles podem ser comparados.

O que estraga a comparação entre consultas

Quase todo erro de antropometria aparece na hora de comparar uma avaliação com a anterior. Os mais frequentes:

  • O ponto da cintura muda. Numa consulta, ponto médio; na outra, umbigo. A diferença entre os dois pontos pode ser maior do que a mudança real do paciente no período.
  • Fita velha ou apertando a pele. Fita que esticou com o uso mede sempre a menos, sem dar sinal. Fita afundando no abdômen dá uma cintura menor, que varia com a força de quem mede.
  • Condições diferentes. Pesagem de manhã, em jejum, numa consulta, e depois do almoço na outra produz uma variação que o corpo não teve. O mesmo vale para trocar de balança.
  • Medida isolada tratada como veredito. Um valor de cintura ou de IMC orienta a investigação. É a tendência ao longo das consultas que mostra se a conduta está funcionando.

Da fita ao histórico: onde a avaliação se perde

A avaliação antropométrica leva poucos minutos e gera dez, quinze números. O trabalho não termina aí. Esses números vão para uma ficha de papel ou para uma planilha, e é ali que a comparação começa a falhar: a ficha da consulta anterior está em outra pasta, a planilha tem uma coluna de cintura que não diz em que ponto ela foi medida, e o peso que o paciente mandou por mensagem entre as consultas não está em lugar nenhum.

No Amar Nutrindo, a avaliação do paciente já vem organizada em grupos: medições básicas (peso, altura, cintura e quadril), dobras cutâneas, perímetros e diâmetros, e composição corporal. Cada medida fica salva com a data no histórico do paciente, com um gráfico da evolução daquela métrica ao longo das consultas. Entre um retorno e outro, o próprio paciente pode registrar peso, cintura, quadril e abdômen pelo app. Teste grátis por 15 dias.

Conclusão: meça o que responde à sua pergunta, do mesmo jeito, toda vez

As medidas antropométricas são o pedaço da avaliação nutricional com o melhor custo por informação. O conjunto básico, com peso, estatura, IMC e cintura, cabe em toda consulta. O resto entra quando o objetivo do paciente pede.

E nenhuma medida vale muito sozinha. O que transforma medida em acompanhamento é repetir o mesmo ponto, o mesmo equipamento e a mesma técnica, e registrar o suficiente para que a próxima avaliação possa ser comparada com esta.

Mede cintura, quadril e dobras em toda consulta e depois perde tempo procurando a avaliação anterior? No Amar Nutrindo, cada medida fica no histórico do paciente, com a evolução em gráfico, pronta para a próxima consulta. Teste grátis por 15 dias.